Soja: China deve elevar importações do Brasil no 1º semestre com safra recorde e vantagem competitiva

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A China tende a ampliar as compras de soja brasileira ao longo do primeiro semestre, sustentada por uma combinação de safra recorde, preços mais baixos e menor custo tarifário. O cenário reforça a dominância do Brasil no abastecimento do maior importador global da oleaginosa e pressiona a competitividade da soja norte-americana no curto prazo.

Com o avanço da colheita no Brasil, processadores privados chineses já fecharam contratos para embarques a partir de fevereiro. O aumento da oferta sul-americana no mercado internacional exerce pressão adicional sobre os preços, ampliando a atratividade da soja brasileira nos portos chineses.

Preço e tarifa direcionam fluxo comercial

A diferença tarifária segue como um dos principais vetores de decisão dos compradores chineses. Enquanto a soja dos Estados Unidos enfrenta tarifa de 13%, o produto brasileiro entra no país com taxação próxima de 3%, favorecendo as margens dos esmagadores privados.

Mesmo com aquisições pontuais de soja norte-americana por estatais chinesas, o mercado avalia que essas compras têm caráter mais estratégico do que econômico. No ambiente atual, a soja brasileira apresenta melhor relação custo-benefício ao longo do primeiro semestre.

Margens de esmagamento sustentam demanda

As margens de esmagamento da soja brasileira, especialmente para embarques entre março e junho, permanecem positivas, estimulando novos negócios. Operadores internacionais projetam volumes de exportação do Brasil para a China acima dos registrados no mesmo período do ano passado.

A diferença de preços entre origens tem sido significativa. A soja brasileira segue negociada abaixo dos valores praticados nos principais corredores de exportação dos Estados Unidos, o que representa economia relevante para os importadores chineses em operações de grande escala.

EUA perdem espaço até a nova safra

As compras chinesas de soja dos Estados Unidos seguem limitadas e concentradas em empresas estatais. Analistas destacam que os preços mais elevados da origem norte-americana, somados à abundância da oferta sul-americana, reduzem a competitividade dos EUA até a entrada da nova safra, prevista para setembro.

A expectativa do mercado é de que os fluxos comerciais permaneçam favoráveis ao Brasil durante o pico da temporada de exportação da América do Sul, com eventuais compras adicionais dos EUA ocorrendo apenas por fatores geopolíticos ou intervenções governamentais.

Safra recorde fortalece posição do Brasil

A produção brasileira de soja para a safra 2025/26 é estimada em mais de 182 milhões de toneladas, consolidando um novo recorde. O volume elevado amplia a disponibilidade para exportação e mantém pressão baixista sobre os prêmios nos portos.

Projeções indicam que o Brasil pode exportar cerca de 85 milhões de toneladas de soja para a China no ciclo 2025/26, avanço expressivo frente ao período anterior. Parte relevante desse volume já está comprometida em contratos antecipados.

Demanda chinesa segue firme no curto prazo

Apesar das tentativas do governo chinês de reduzir o excesso de capacidade do setor suinícola, o tamanho do rebanho permanece elevado, sustentando a demanda por farelo de soja no primeiro semestre. Analistas avaliam que uma desaceleração mais consistente só deve ocorrer a partir do segundo semestre.

No último ciclo, a China importou mais de 109 milhões de toneladas de soja. Embora as projeções oficiais indiquem recuo nos volumes totais para 2025/26, o Brasil deve manter — e possivelmente ampliar — sua participação no mercado chinês, beneficiado por preço, oferta e vantagem logística.

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