O padre Everton dos Santos Borges, da Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Planaltina, organiza turmas inclusivas com o objetivo de batizar e catequizar crianças com autismo. A iniciativa veio do pedido de uma mãe, que nunca tinha conseguido batizar sua filha. Depois do contato com as crianças, o padre descobriu que também é neurodivergente.
Padre Everton se dedica à paróquia há seis anos, onde já realizou centenas de batismos. A partir do pedido da mãe, ele realizou o primeiro batismo inclusivo para uma criança autista. Daí veio a ideia de criar turmas de batismo e de catequese inclusivas para crianças com autismo.
O padre conta que, durante a cerimônia, ele pergunta individualmente para cada uma das crianças, como desejam ser batizadas. Com muita ou pouca água, e até mesmo com gotas, tudo para que a criança se sinta à vontade.
“Tem que ter o cuidado na hora de tocar, na hora de jogar a água. Perguntar e informar o que vai acontecer”, explica o padre.
Maria Josélia, frequentadora da paróquia, realizou um sonho ao ver seu filho Jorge, de 14 anos, ser batizado. “Tentei mas nunca deu certo, pelo fato de ele ser muito agitado, e eu também nunca tinha achado a pessoa certa. Era um sonho, e graças a Deus eu realizei esse sonho”, diz Maria Josélia
Padre neurodivergente
Durante a missão de catequisar e batizar as crianças, o padre descobriu que também é neurodivergente. Ao procurar apoio médico, ele foi diagnosticado com o transtorno do espectro autista (TEA) e com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).
O diagnóstico só aumentou a identificação do padre com as crianças, e agora, ele pretende expandir essa iniciativa para manter as crianças no caminho da fé.
“Que cresça. Que todas as igrejas no Brasil e no mundo possam fazer essa catequese adaptada para as pessoas com autismo e outras neurodivergências”, declara.
Atualmente, a turma de catequese que começou com apenas três crianças, no final de 2024, já soma mais de 20 catequizandos.
Dia de Conscientização
Nesta quarta-feira (2), é celebrado o Dia Mundial e Nacional de Conscientização sobre o Autismo. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, e instituída no Brasil em 2018.
O objetivo é que o dia sirva para levar informação sobre o autismo e conscientizar a sociedade sobre os direitos da pessoa do espectro.
Fonte: G1