Uma ação digna de filme marcou o universo do hacktivismo internacional. Usando o pseudônimo “Martha Root”, uma hacker descobriu e desmantelou uma rede digital criada para promover relacionamentos exclusivos entre pessoas brancas alinhadas ao supremacismo racial. A principal plataforma, chamada WhiteDate, funcionava como uma espécie de “Tinder supremacista” — e foi apagada ao vivo, durante um evento na Alemanha, enquanto a hacktivista vestia uma fantasia de Power Ranger rosa.
A plataforma fazia parte de um ecossistema maior operado pela empresa Horn & Partners, sediada em Paris. O WhiteDate era o carro-chefe do sistema, voltado à conexão romântica entre os chamados “Europids”, termo utilizado pelo grupo para se referir a europeus brancos.
Rede supremacista ia além dos relacionamentos
Além do WhiteDate, outras duas plataformas integravam a rede:
- WhiteChild: voltada à promoção de famílias “puramente brancas”, com forte apelo ideológico e ancestral;
- WhiteDeal: uma espécie de LinkedIn supremacista, focado em networking profissional entre pessoas com a mesma visão extremista.
Todos os sites foram deletados ao vivo por Martha Root durante o Chaos Communication Congress, um dos maiores eventos de tecnologia e segurança digital do mundo, realizado na Alemanha.
Engenharia social, IA e perfis falsos
Para infiltrar-se na plataforma, a hacktivista utilizou apenas engenharia social e inteligência artificial. Segundo ela, bastou criar perfis femininos falsos com apoio do modelo de linguagem Ollama e passar por alguns chamados “testes de pureza” exigidos pelos administradores do site.
Após o acesso, Martha Root criou o site iokstupid.lol, onde passou a mapear e expor os usuários da rede, revelando mais de 8 mil perfis vazados.
Entre os dados expostos estão:
- Nome de usuário
- Idade
- Localização
- Religião
- Estado civil
- Estilo de vida
- Histórico de atividades na plataforma
Dados enviados a jornalistas e pesquisadores
Embora conteúdos mais sensíveis, como e-mails e mensagens privadas, não tenham sido divulgados publicamente, todo o material exfiltrado foi encaminhado ao Distributed Denial of Secrets (DDoSecrets) — uma organização sem fins lucrativos que atua no compartilhamento de dados para pesquisa e jornalismo investigativo.
Com ironia, Martha Root comentou a falha de segurança da plataforma:
“Imagine se autodenominarem ‘raça superior’, mas se esquecerem de proteger o próprio site — talvez seja melhor aprenderem a hospedar WordPress antes de tentar dominar o mundo.”

