Canadá e Estados Unidos estabelecem prazo de 30 dias para novo acordo econômico e de segurança

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Em um desdobramento inesperado, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou nesta segunda-feira (17) que chegou a um entendimento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para intensificar as negociações com o objetivo de firmar um novo acordo econômico e de segurança bilateral no prazo de 30 dias.

O anúncio foi feito poucas horas após autoridades canadenses afirmarem que ainda havia um caminho considerável a percorrer antes que qualquer consenso fosse alcançado. Carney, eleito em abril com a promessa de adotar uma postura firme contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos, tem pressionado por uma redefinição da relação comercial com o país vizinho.

O encontro entre os dois líderes ocorreu à margem da cúpula do G7, realizada em Alberta. Na ocasião, Trump voltou a defender o uso de tarifas como ferramenta de negociação — ponto de discordância com Ottawa. Em nota oficial, o gabinete do primeiro-ministro canadense afirmou que “Carney e o presidente Trump compartilharam atualizações sobre os principais pontos debatidos nas negociações e concordaram em prosseguir com os esforços para chegar a um acordo dentro dos próximos 30 dias”.

Um porta-voz de Carney confirmou que a declaração representa a intenção formal de ambas as partes em concluir um entendimento no prazo estipulado. No entanto, o governo canadense não esclareceu se aceitaria a permanência de algumas tarifas americanas como parte do eventual acordo.

Trump, por sua vez, reforçou sua posição: “Tenho um conceito de tarifa. Mark tem um conceito diferente… vamos ver se conseguimos resolver isso. Eu gosto de tarifas”, afirmou.

O Canadá, principal fornecedor de aço e alumínio aos Estados Unidos, foi diretamente afetado pelas tarifas impostas pelo governo Trump sobre metais e automóveis. Carney declarou, na semana anterior, que as negociações sobre as tarifas estavam em andamento, mas ressaltou que o Canadá está preparado para adotar medidas retaliatórias caso as conversas fracassem.

Apesar do tom conciliador do anúncio, fontes do governo canadense indicam que Washington tem demonstrado pouca urgência nas tratativas. A embaixadora do Canadá nos Estados Unidos, Kirsten Hillman, reiterou que Ottawa mantém sua oposição à imposição de tarifas sobre produtos canadenses.

“Estamos no meio de uma discussão – ainda não chegamos ao fim. Nossa posição é que não se devem aplicar tarifas às exportações canadenses”, declarou Hillman. “Continuaremos negociando até alcançarmos um acordo que represente os melhores interesses do Canadá.”

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